domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Analfabeto Político "Bertold Brecht"

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Nada é impossível de Mudar"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar." Privatizado"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."
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Crônica da vida

MOACYR SCLIAR
Grande escritor, Fitzgerald soube captar em sua ficção a ansiedade que todos temos em comum com a inexorável passagem do tempo, o envelhecimento, a morte. Gostaríamos de ser jovens para sempre, de viver para sempre. A natureza, porém, não quer saber de nossas fantasias. Dotou-nos de um implacável relógio biológico que o botox pode atrasar um pouco, mas não deter. Mais do que isso, há casos, verdadeiramente dolorosos, em que este relógio se acelera de forma absurda e cruel.***Estou falando de uma doença chamada progeria (o nome vem do grego geron, velho), congênita e muito rara: ocorre em um de cada 8 milhões de recém-nascidos. Em minha atividade médica, nunca cheguei a ver um caso. Melhor dizendo: vi, sim, um portador de progéria, um menino que morava no Partenon, mas vi-o na rua; era um diagnóstico que se impunha, mesmo a distância, por causa do tipo físico. A progéria é a doença da velhice prematura e acelerada: pele seca e enrugada, calvície, catarata, artrite, arteriosclerose rapidamente progressiva. E aí nós temos esta pungente contradição: uma criança velha. É algo que não podemos entender. Aliás, no filme a questão da passagem do tempo também não chega a ensejar uma reflexão: a trama romântica predomina. Mas mesmo que essa reflexão existisse, mesmo que um garoto com progéria pudesse elaborar sua condição, não creio que chegaríamos a uma resposta, a não ser de natureza religiosa, para a questão do tempo, do envelhecimento e da morte. Porque, em geral, tendemos a achar que nossa vida é curta para as indagações que nos acossam. Em seu leito de morte a escritora Gertrude Stein indagou às pessoas que ali estavam: “Qual é a resposta”?. Ninguém respondeu. Ela sorriu e disse: “Neste caso, qual é a pergunta”?. Já o conto de Fitzgerald termina com Benjamin Button bebê, retornando ao mistério do qual se originou: “Então ficou tudo escuro. O berço branco, as indistintas faces que se moviam a seu redor, o doce aroma do leite, tudo sumiu de sua mente” e ele volta ao nada. Ou seja: nascimento e morte se confundem.***Não, não dá para invejar Benjamin Button. O que dá para fazer é aceitar nossas limitações, é vivermos da melhor forma possível. Não podemos perder tempo com ódios, com rancores, com mesquinharias. A vida é curta para isso, deve ter resmungado Button com seus botões. Uma frase que ouve quem tem ouvidos sensíveis e mente aberta.-->
O tempo e a vida
O Curioso Caso de Benjamin Button, filme com Brad Pitt que é forte candidato ao Oscar, inspira-se no conto homônimo do escritor americano Scott Fitzgerald. E este, por sua vez, parte de uma fantasia não muito rara: nascer velho e ir ficando progressivamente mais jovem. Eu mesmo escrevi uma história a respeito, sem saber do conto de Fitzgerald, que aliás vale a pena ler. Já no começo, ele descreve a horrorizada surpresa do pai ao constatar que o seu recém-nascido filho é um velho mirrado, um velho que mira-o placidamente e pergunta: “Você é meu pai”?.Grande escritor, Fitzgerald soube captar em sua ficção a ansiedade que todos temos em comum com a inexorável passagem do tempo, o envelhecimento, a morte. Gostaríamos de ser jovens para sempre, de viver para sempre. A natureza, porém, não quer saber de nossas fantasias. Dotou-nos de um implacável relógio biológico que o botox pode atrasar um pouco, mas não deter. Mais do que isso, há casos, verdadeiramente dolorosos, em que este relógio se acelera de forma absurda e cruel.
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Estou falando de uma doença chamada progeria (o nome vem do grego geron, velho), congênita e muito rara: ocorre em um de cada 8 milhões de recém-nascidos. Em minha atividade médica, nunca cheguei a ver um caso. Melhor dizendo: vi, sim, um portador de progéria, um menino que morava no Partenon, mas vi-o na rua; era um diagnóstico que se impunha, mesmo a distância, por causa do tipo físico. A progéria é a doença da velhice prematura e acelerada: pele seca e enrugada, calvície, catarata, artrite, arteriosclerose rapidamente progressiva. E aí nós temos esta pungente contradição: uma criança velha. É algo que não podemos entender. Aliás, no filme a questão da passagem do tempo também não chega a ensejar uma reflexão: a trama romântica predomina. Mas mesmo que essa reflexão existisse, mesmo que um garoto com progéria pudesse elaborar sua condição, não creio que chegaríamos a uma resposta, a não ser de natureza religiosa, para a questão do tempo, do envelhecimento e da morte. Porque, em geral, tendemos a achar que nossa vida é curta para as indagações que nos acossam. Em seu leito de morte a escritora Gertrude Stein indagou às pessoas que ali estavam: “Qual é a resposta”?. Ninguém respondeu. Ela sorriu e disse: “Neste caso, qual é a pergunta”?. Já o conto de Fitzgerald termina com Benjamin Button bebê, retornando ao mistério do qual se originou: “Então ficou tudo escuro. O berço branco, as indistintas faces que se moviam a seu redor, o doce aroma do leite, tudo sumiu de sua mente” e ele volta ao nada. Ou seja: nascimento e morte se confundem.
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Não, não dá para invejar Benjamin Button. O que dá para fazer é aceitar nossas limitações, é vivermos da melhor forma possível. Não podemos perder tempo com ódios, com rancores, com mesquinharias. A vida é curta para isso, deve ter resmungado Button com seus botões. Uma frase que ouve quem tem ouvidos sensíveis e mente aberta.